22 de janeiro de 2005

BOAS NOTÍCIAS

Afinal fumar SG Ventil não faz mal! Ufa! Por momentos pensámos que até era capaz de ser prejudicial à saúde. Ainda bem que tudo se esclareceu.
TEATRO NO FEMININO

Está a decorrer na SPA, numa organização da companhia Escola de Mulheres, uma série de conferências, debates e leituras sobre teatro. Até domingo à noite. Em Lisboa, na av. Duque de Loulé, 31.

21 de janeiro de 2005

QUEM DORME COM QUEM

os jornais de mexericos interrogam-se. Cada um lá terá as suas preocupações. Mas que conste que existem pessoas mais preocupadas em saber quem dorme ao seu próprio lado.
PORTUGAL

sofre do problema de autoestima das comadres. Falam, falam, falam, falam... ficamos chateados? Pois ficamos!
TODO O TEMPO
é pouco para viver.

13 de janeiro de 2005

SANTANÉ E PRÍNCIPE

Lol, amigos: já nem vou dizer nada.
Num país em que a taróloga e abelha Maia vem de perna cruzada, sentar-se ao lado do macho-man Cláudio R. , mostrando-se feliz porque "finalmente" as "figuras públicas" começam a dar conferências de imprensa e a enviar press releases sempre que decidem divorciar-se, acredita-se em tudo. Até que o companheiro Santana pode ganhar porque a maioria dos portugueses (segundo as estatísticas) votam "na cor", independentemente do programa ou equipa.
Parece-me contudo, que qualquer pessoa do PSD que não tenha enlouquecido ou não sonhe ser capa da Caras, deveria considerar a hipótese de se abster. Ou Saramaguianamente, votar em branco. A não ser que achem possível viver num país onde a vergonha se esqueceu do nome da mãe.

12 de janeiro de 2005

PARIS 2

Numa sala do tamanho de um lenço de papel, 80 espectadores e 6 actores. A peça é da dupla Jean-Pierre Bacri, Agnès Jaoui (de quem está em exibição o filme "Comme une image", em Portugal).
Durante mais de uma hora esquecemo-nos de que estamos com as pernas encolhidas para não pisar os actores. O esquecimento advém da qualidade do texto e do trabalho irreprensível dos actores. Não me consta que tivessem necessidade de subsídio e as cadeiras e mesas com que nos convenceram eram muito semelhantes às que encontrámos no café ao lado. Também não percebi que se tratasse do que os nossos "independentes" chamam depreciativamente "Teatro comercial". Era teatro, eram bom, e voltaria na noite seguinte se não houvesse outra peça a ver.
Concluam o que quiserem.
PARIS

Ela está sempre lá, pronta a mostrar-nos o tamanho da nossa aldeia de origem. Somos hobbits, habituados a olhar o rabo dos cavalos que vivem entre nós e a tomá-los por gigantes importantes, os que olham o Sena e os barcos que passam por entre os edifícios monumentais. Ali a tacanhez que levamos agarrada às solas, dissolve-se por um momento. Percebe-se melhor que viver em Portugal não é viver entre os maus, apenas passar a vida na província, a almoçar com os primos. O que pode ser bom, se não esquecermos que existem coisas para lá dos muros da quintinha.
LE PURPLE JOURNAL

Comprei o número de Inverno da versão francesa, apenas pelo texto que também é capa:

"Dans cette période déxtrême médiocrité historique, de trhaison et de honte: Vivons! Acucueillons le chaos! Affirmons avec joie notre non-participation au monde tel qu'il se détruit! Adoptons la vitesse de la mélodie! Nw plaisons à personne! Aimons! Soupirons aux oreilles des trâitres! N'Apaartenons à rien! Chérissons nos amis américanis! Amusons-nous de la parade! Soyons le vent Soyons la pluie! N'ayons peur de rien! Vivons, car c'est officiel, nous sommes en train de mourir!"

Não poderia estar mais de acordo, ironia incluída.

6 de janeiro de 2005

A POESIA 2

Em resposta ao repto lançado, aqui fica uma poesia do Alexandre o'Neill, extraída do livro "Poemas da minha vida", do Urbano T. Rodrigues.

"POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão

Assim tudo ficou até que não.

Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.

E a elisa passa rindo dentura aos clarões."

:)
SERVIÇO PÚBICO

No outro dia julguei ter ido parar o Canal Memória: uma senhora de idade, parecida com a Olga Cardoso, falava simpática e anacronicamente com pessoas que escrevem em jornais ou apresentam notícias. Estava enganado, o programa era de 2005 e a apresentadora ainda está (por assim dizer) viva. Chamava-se o anacronismo "Clube de Jornalistas".
Lembrei-me, hoje, disso, ao ver a entrevista do director da 2, Manuel Falcão. O homem está contentíssimo com o que por lá se faz e com as franjas de audência que (de vez em quando) ali encalham. Cita o referido programa como exemplo de excelência...
Enfim, o pior cego é que não quer ver. Ou o que nos quer cegar a nós.

ANDA RESTAM COISAS

Recebo pelo correio, o livro de poemas seleccionado pelo meu amigo e excelente escritor Urbano Tavares Rodrigues, em edição do Público. Durante umas horas viajei pela poesia que marcou a sua vida.
No fim, percebi melhor por que se lê.
E o que interessa ler.


À PALA DA CULTURA

Afinal, Santana Lopes interessa-se bastante pela Cultura... A escritora recusou, mas o convite foi feito.
Não há mesmo coindências... helàs!
ps: ainda lhe resta a Maria João Pires... se começar a tocar violino. O Chopin já ela domina.

2 de janeiro de 2005

O EMBAIXADOR

Noto, com tristeza, alguma má vontade nos media a respeito das férias do embaixador de pORTUGAL no Sião. Eu não conheço o contrato colectivo que rege esta classe, mas estou certo que além de terem direito a passarem os cargos de forma dinástica, também deverão poder gozar as férias quando lhes apeteça... Tá bem, há o detalhe do maremoto... mas que Diabo...!
demanda do r.jpg

ps: gostaria ainda de aventar outra hipótese, para a demora do senhor. É que ao ouvi-lo falar (uma semana depois) no seu país de colocação, percebi que trocava os "Rs", pelos "Gs", tipo Baggança. Talvez tenha vindo a Portugal à procura das fricativas (Rs). O que me parece legítimo.
2 DE JANEIRO

Ontem de manhã estive a tomar as minhas resoluções de novo ano.
Afinal eram simples: não morrer de fome, escrever, escrever, escrever, deitar - mais um bocadinho - fora o que de mim agrida os outros e que não ajude ninguém.
Estou inclinado para a concretização da segunda...
;)

30 de dezembro de 2004

BOM ANO

Caros amigos/visitantes.
O que passou foi complicado para a maioria de nós, com crises financeiras, desgovernos em fuga e a tomada de consciência da linha frágil em que se movem os homens e mulheres de bem portugueses.
Ia escrever: "2005 não poderá ser pior",mas vêm-me à memória as imagens trágicas em directo dos paraísos para ocidentais. E todas as certezas caem por terra. Mesmo as que se referem à importância das coisas que por aqui se discutem. Todos os sobreviventes do maremoto diziam "estou vivo e isso é que interessa". Que nos fique a lição para o ano que começa.

19 de dezembro de 2004

2 FILMES NUMA NOITE

Como o Fernando Fragata se declarava vítima do sistema pseudo-intelectual e como o EXPRESSO lhe dedicava uma crítica condescendente, resolvi ir ver o SORTE NULA. Como é sabido, estou entre os que defendem a necessidade de um cinema português mais comunicante.
Havia meia-dúzia de espectadores na enorme sala. Eu fui dos que saí ao fim de 20 minutos. Porquê? Simples: a coisa poderia chamar-se Pesadelo de Qualquer Coisa 2. O realizador simplesmente não tem uma única ideia de realização. Não tem a ver com querer fazer acção, nem do filme ter um orçamento baixo. BALAS E BOLINHOS que é uma brincadeira de amigos é incomparavelmente melhor, esse sim, mereceria ter sido bastante mais apoiado. Comparo os dois, porque ambos são filmes de baixíssimo orçamento. Só que o primeiro não queria ser mais do era; Sorte Nula quer ser tudo o que nunca será. Basicamente, não tem argumento, tem uma imagem pavorosa, os actores (os que o são, em qualquer sentido do termo) andam aos papéis num filme onde não devem ter visto qualquer papel.
Fernando Fragata é um operador de steadycam que gostaria de ser realizador. Mas, e digo isto com uma sinceridade que ele nunca poderá compreender, já que me move apenas o desejo de ver bons filmes, para se ser Spielberg é preciso mais do que deixar crescer as barbas e ir passear para LA.

Fiquei tão agastado com aquela... coisa, que fui a pé até ao Monumental, onde comprei de forma descrente bilhete para A COSTA DOS MURMÚRIOS.
E... percebi a diferença entre o QUERER e o SER CAPAZ. O filme de Margarida Cardoso é absolutamente conseguido, excelente. E não é só pela fotografia que é das melhores que já vi no cinema, ou pelo desempenho dos actores (com destaque para a Beatriz Batarda, claro), mas toda a película respira de forma segura pela mão da realizadora. Margarida Cardoso, que nos habituara desde DOIS DRAGÕES a uma forma rigorosa de filmar, mostra-se aqui em plena maturidade. Perpassa a sombra de Lucrecia Martel, na forma de filmar os ombros desnudados das mulheres. E ainda bem.
É de longe o melhor filme português dos últimos anos. Filma África não como o postal ilustrado que a fotografia poderia produzir, mas de forma significativa e coerente. É "parado", sim, mas não tem nada do pseudo-intelectualismo de que Fragata se queixa (e nalguns casos com razão, basta ver os filmes estreados entre nós). É apenas um belíssimo filme.
Uma noite que começou mal em português, para acabar em beleza, como um céu coberto de flamingos rosa.

16 de dezembro de 2004

A POUCA VERGONHA E O VENTO TÊM O MESMO ATREVIMENTO

Se olharem para baixo, lerão a minha descrença face ao desaparecimento desta nódoa que nos anda a governar há algum tempo. Tal como as irmãs feitas de gordura, uma vez entaladas na roupa, custam a sair. Habituam-se a passear na lapela dos fatos.
A proposta maquiavélica de Portas é ao mesmo tempo ingénua e filha da sem-vergonhice total. Tentar encostar o Presidente à parede com a argumentação de que vão a votos em separado para obter mais lugares mas que estão juntos e como tal deverão governar em caso de não existir maioria absoluta de outro partido, é ignóbil. É ir contra a essência da democracia no que ela tem de respeitar a vontade do povo. Os que defendem que as mulheres devem continuar a ir presas se interromperem a sua gravidez porque em referendo UMA MICRO-PERCENTAGEM O DETERMINOU, vêm agora defender que as maiorias são relativas.
Não fosse termos assistido nestes meses à sua despudorada actuação e coraríamos por vergonha alheia.
Assim só nos resta engolir o nojo deste striptease humano, à direita do bom-senso.

13 de dezembro de 2004

BZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzz

Julgo ter, tal como milhares de outras pessoas neste país, o telefone sob escuta. O que não me chateia particularmente. O meu problema é mais a chiadeira que a coisa faz. Daí que proponha aos responsáveis que das duas uma: ou melhoram nos equipamentos de brincar aos detectives, ou param e eu aviso quando for dizer alguma coisa que eles possam vender à imprensa de escândalos ou cor-de-rosa. Uma espécie de pacto de nacional-porreirismo. Que acham?
Obrigado pela atenção.
A POLÍTICA JÁ ENJOA, MAS AINDA ASSIM...

sempre vou dizendo que estou com pena do PSD. Goste-se ou não se goste, e depois de se excluir a gigantesca turba de clientes de argoleta e gravatinha, anda por lá gente com algum mérito. Terão uma visão um bocadinho menos compadecida as coisas e um certo gosto por autoestradas, mas que fazer...? Agora, verem o seu futuro nas mãos de um arrivista da pior espécie enquanto aturam outro arrivista, ainda de pior calibre, ridiculamente minoritario em votos, a DECIDIR SE OS DEIXA COLIGAR com ele... deve doer. Mas um congresso que se deixa manipular por alguém como Santana Lopes merece o destino que lhe está destinado...
O QUE VER NAS COISAS QUE SÃO

Um amigo que escreve sobre livros fazia referência, há uns dias, a um escritor injustamente pouco conhecido, num dos seus artigos. Não poderia estar mais de acordo quanto ao valor da pessoa em causa. Nem quanto à menção de ser ela mais merecedora de atenção do que muitos que a recebem sem merecimento.
Já a ideia de que parte desse valor deriva das citações implícitas, prova de ciclópicas leituras, me perturba como critério. Não que o duvide, mas se isso bastasse, se não houvesse mais nada ( e não é o caso) teria de me apropriar do comentário que o Rui faz, uns posts abaixo, e dizer que ainda vou preferindo os que nada leram e contudo criam. À conta das leituras têm-se criado e mantido alguns dos blufes nacionais. Alguma coisa mais terá de haver...
Mas isso é apenas a opinião de quem vem de família sem biblioteca própria...

AINDA CÁ VOLTO...

O governo "demitiu-se"?! Hello: loiras... Vocês foram despedidos. Uma pessoa despedida não se despede... Sai.
Daaaa.... Tecla 3....

blonde.jpg
THE INCREDIBLES

Fui finalmente ver o último filme da PIXAR. Ao contrário do que nos habituaram, desta vez trazem uma curta fraquinha, a acompanhar.
Mas o filme é, de novo, uma pérola de rigor e interesse.
Já tenho personagem favorita para os próximos tempos. O meu reino pela ideia de uma Edna estilisa :)

8 de dezembro de 2004

ANSIEDADE
Estou ansioso por saber o que Paulo Portas decidiu em nome dos franjinhas para as próximas eleições. Ele HOJE já sabia. Mas só conta AMANHÃ, o malandreco.
Se calhar é que vai aderir ao Bloco de Esquerda, deixar de mentir com quantos dentes tem na boca e sair do armário da hipocrisia.
Nossa Senhora de Fátima (com toda a pastorícia acoplada) o ilumine.
Ó INCLEMÊNCIA

Não acredito que o Pinto da Costa tivesse sido capaz de um acto ilegal para promover o seu clube ou os interesses adjacentes. Olha-se para ele e vê-se logo que é um homem com um grande coração. Capaz até de levar um árbitro feínho como um judas, preterido pelas mulheres, até um sítio onde este possa encontrar convívio e compreensão, se necessário.
O mundo tem bons e maus. Outros alternam.

6 de dezembro de 2004

POLÍTICA

Desenganem-se, os que julgam que o afastamento do governo do execrável Santana Lopes e de Portas com os seus meninos e velhos virá acabar com este Portugal-podengo, deitado junto à fonte do calor, babando-se, alarve. Nem Sócrates, a vencer as próximas eleições terá forças para afastar este ninho de pulgas sequiosas. São demasiadas as revistas e jornais "choque", rosa-choque, a publicar, longo o braço da PT e dos bancos feitos no céu, seja por graça do espírito-santo, seja pelo acenar do opusdeisiano jardim. Portugal começou o milénio agarrado com as tenazes do despudor moral e financeiro. Não se irá deitar em cama limpa tão cedo.
ALEXANDRE

A Mary Renault deve estar aos saltos na tumba. Os seus 3 livros (em Portugal editados pela Assírio) foram estraçalhados da pior maneira: reproduzindo-lhes partes, quase literalmente, fora de contexto ou sem a preparação devida à compreensão.
As 3 horas de filme facilmente se converteriam em 2 mais interessantes se Oliver Stone e os seus produtores compreendessem que Historia e América rimam com dificuldade.
Falta-lhes a fúria e a paixão, como muito bem disse Jorge Leitão Ramos no Expresso.
Sobra a converseta.

ps: foi curioso ver o riso alarve que ia grassando pela sala lotada sempre que Alexandre confirmava o seu amor a Hefestion. E alguma razão tinham, na sua provinciana ignorância, os espectadores, já que o realizador parecia acordar lá de vez em quando, para se lembrar de que a energia da personagem principal também vinha do amor dos que o rodeavam...
Enfim, leiam-se os livros.

2 de dezembro de 2004

HOGWARTS RELIGIOSO

Em Évora fiquei alojado numa das "celas" dos antigos (e bastante sumidos) seminaristas. Era fria e a janela estreita. Mas por ela podia ver-se uma coruja... não, várias, que vigiavam das varandas dos padres. Levei dois dias a descobrir que eram de plástico.

ONDE ESTÁ O MEU COELHINHO SÁBIO

Vai-nos fazer falta, a certeza de ter a lux-cara do camarada Santana, a sua voz arrastada e monocórdica a falar do que não faz ideia nenhuma.
Como ficaremos sem a inteligência da secretária de estado da defesa... perdão, da cULTURA, e, sobretudo, sem a visão dos seus cabelos loiros por detrás dos vidros de um luxuoso carro.
Não falo do secretário geral das ondas... como lamentaremos não ouvir os seus discursos em bom português. Portas e Santana têm razão: não se percebe o porquê do afastamento deste harmonioso bando.
Muito menos o da sua nomeação.

30 de novembro de 2004

TEMPUS
fugit.
Bem o tento repreender. Mas ele insiste com a estreiteza das 24 horas. Bem me posso cansar a lembrar a necessidade de escrever no blogue...
Nada: o seráfico permanece irredutivelmente apressado.

24 de novembro de 2004

VENDE-SE
Gripe em bom estado. Quase nova. Alto desempenho (1 pacote de lenços-hora) e com espírito de permanência.
Motivo: falta de tempo do proprietário para a entreter.

22 de novembro de 2004

diário

cansado. durante dez horas, assistir ao transformar do actor. o olhar de câmara e as convulsões internas do personagem. as subtilezas que se afinam. ser o chato, o que pede mais um take, enquanto a pessoa frente ao pano azul ignora as luzes, os microfones e o olho de vidro, e se imagina outro. cada palavra é espremida até que os seus vários sentidos escorram pela sala, nessas horas maior do que ela própria. transformada.
da universidade de turim chega-me a notícia que o "segura-te..." foi traduzido para a antiga língua, por vários estudantes. se fico contente? fico. pela partilha. só por ela. como quem faz - de alguma forma - novos amigos. vem-me à cabeça a figura das criaturas que andam pela net a alardear que descobriram erros e fragilidades no trabalho dos outros. ideia contrária à das traduções. vive mdo apoucar por razões claras e tristes. há crueldade divina no deixar que o fel cresça no coração de alguns. poderia existir lá um prado, se deixassem. mas o medo de si, o desprezo com que chamam em surdina o próprio nome, é mais forte.
de londres, e-mail de um antigo aluno, e amigo, por consequência. fala-me do país com o olhar de quem acaba de chegar e não se lembra bem onde deixou o guarda-chuva. fico contente de o saber em busca de mais conhecimento. um destes dias há-de escrever coisa maior. e não serei só eu a desejar-lhe uma aprendizagem frutuosa.
amanhã, oito horas de aulas. no meio, reuniões e trabalho extra. preparar tudo, antes de deitar.
cansado. e apesar disso vou gostar de acordar.

20 de novembro de 2004

SAMPAIO NÃO TEM CORAÇÃO

O ex-presidente de todos os portugueses negou à família Santana o seu gabinete de propaganda. "Que só ia dar 30 tachos", ainda argumentou o governo, "no estrangeiro chegam a ser 200 pessoas a trabalhar nisto". Mas não adiantou de nada.
Na região compreendida entre as primeiras vivendas do Estoril e as últimas da zona do Guincho houve hoje 30 vozes que gritaram para a cozinha: "Ó Mariiiaaa... Afinal já não vai ser lagôôoosta pró jantaree... Descongele lá a sopa do capitão Iglo ó lá o que é... ca fartura ficou adiada por mais uns diaasss... Caturreira!".
ANÚNCIO

A minha amiga Pascale quer abrir um local em Lisboa onde se possa beber um copo de bom vinho, ou um kir, e comer algumas das deliciosas entradas francesas que ela prepara, enquanto se fala do que der na bolha desse dia.
É um sonho-projecto à procura de parceiros.
Os interessados que deixem um papelito na nossa e-morada.
ANÚNCIOS
Vou começar a anunciar. Assim. Como se isto fosse uma venda simpática e os vizinhos deixassem papelinhos para que outros pudessem ver. Não se esqueçam que os meus vizinhos são vocês, os unidos pela língua e espalhados pelo mundo.
Segue já o primeiro :)
2 FRASES (que afinal eram mais)
No canal Memória, Agostinho da Silva ressuscita para nos lembrar que as verdades mais simples são as mais absolutas. E, consequentemente, as que nos parecem mais difíceis de alcançar. Sobre o sentido de humor disse apenas: "os portugueses tocam o pessimismo como quem toca guitarra".

O rei dos pessimistas, Vasco Pulido Valente, tem, por outro lado, uma frase optimista sobre o futuro desta coisa a que se consentiu chamar "Coligação" e de como o país se deverá livrar serenamente dela: ""A coligação precisa de ferver até ao fim no molho da sua própria miséria. Não vale a pena que ela acabe, se não for arrasada e, com ela, o bando que a imaginou e a seguiu".
INDEX

O Mário C. enviou-me este link. Afinal, como ele diz, "havia outros"...
Pelo menos, quando o "Tarzan" for proibido já saberemos onde é que as nossas luminárias foram buscar a ideia...

19 de novembro de 2004

ORELHAS MOUCAS

O ex-director de informação da RTP, José R. dos Santos lançou um novo livro. "A filha do capitão" (cito o título de memória...). Estou ansioso. Por saber o que reza a história. E mais ainda, QUANTO TEMPO levou a escrevê-la... Lembro que o seu último "romance" foi feito, segundo o autor, em 15 dias.
Trabalhar na RTP dá mesmo genica!
FREE SMOKE

Se dúvidas houvesse sobre o facto da nicotina provocar dependência bastaria ler a irritada crónica de Miguel S. Tavares, no "Público" de hoje, a propósito na lei que regula o consumo de tabaco em determinados locais públicos...
Numa coisa ele está certo a fiscalização da medida será longamente boicotada pelos milhares e milhares de viciados que deveriam zelar pela sua implementação.
Até que a coisa estabilize e ouçamos muitos dos que clamarão nos próximos tempos "Injustiça!" jurar que sempre foram contra o fumar em recintos fechados.
Haja paciência...!

18 de novembro de 2004

0, 6 %

é o orçamento para a Cultura, em 2005.
Vale a pena dizer mais alguma coisa?

17 de novembro de 2004

A LESTE NADA DE NOVO

Os comunistas que eu conheço são todos pessoas generosas. Acreditam na transformação do mundo em prol dos mais desfavorecidos, abominam a injustiça e não têm medo de meter as mãos ao trabalho.
Ora, pergunto eu: como é que pessoas inteligentes e sensíveis se podem rever no PCP? O PCP que alimenta e se alimenta da CGTP e de um corpo cada vez mais envelhecido e diminuto de militantes? Num um partido cego que se prepara para eleger uma figura anacrónica, tirada a ferros surpresos dos ESTEIROS?
Num momento em que o pior da Direita portuguesa se esfalfa para nos entregar a todos aos bichos, a esquerda dá tiros no pé ao som de música mais do que ultrapassadas...
Não vejo ninguém a propôr uma resistência consistente a esta onda de cretinismo santano-portista em que mergulhamos. De um lado, elegem-se "antifascistas", do outro, para as bandas do largo do Rato vejo sair (literalmente) o que em linguagem novecentista seriam "homens distintos" de sobretudo elegante e que entram em BMWs de cilindrada alta...
Não me surpreende nada que cada vez mais me cheguem e-mails distantes dos nossos melhores. Daqueles que tomaram consciência que Portugal só se pode construir fora das suas fronteiras.

16 de novembro de 2004

DA LAMÚRIA DO CINEMA

Pertenço à turma do Hitchcock no que se refere à verdadeira necessidade para fazer um bom filme. Segundo ele, são necessárias 3 coisas: "Argumento, argumento, argumento".
Contudo, para os que não concebem um filme sem o primado da imagem perfeita e ao mesmo tempo não conseguem seduzir os júris do ICAM, remeto para o texto que se segue. Uma das 4 mulheres admitidas na American Society of Cinematographers (só isto já daria assunto de conversa, mas adiante...) ganhou em Sundance, este ano, o prémio de melhor fotografia. Com um caríssimo aparato de 35mm? Não. Com uma câmara miniDV. Armadilhada, é certo. Mas ainda assim...
Ler para avançar:

"Veteran director of photography Nancy Schreiber A.S.C. was recently honored with the Excellence in Cinematography Award at the 2004 Sundance Film Festival for her ?exceptional photography? on the drama November starring Courteney Cox, James Le Gros and Anne Archer, and directed by Greg Harrison. ?November,? produced by IFC Productions? digital initiative InDigEnt and Map Point Pictures, was shot with Panasonic AG-DVX100 Mini-DV 3-CCD camcorders.
For Schreiber (only the fourth woman voted into membership into the American Society of Cinematographers), this is her second Cinematography Award from Sundance, having shared the 1997 prize for My America?or Honk If You Love Buddha. Among her many other accolades are a Kodak Vision Award, an Emmy nomination (HBO?s ?Celluloid Closet?), and an IFP Spirit Award nomination for her striking work on Chain of Desire, starring Linda Fiorentino and Malcolm McDowell. Other projects include ?Your Friends and Neighbors, directed by Neil LaBute, starring Ben Stiller, Amy Brenneman and Jason Patric; and Loverboy, directed by Kevin Bacon, starring Kyra Sedgwick, Sandra Bullock, and Matt Dillon. She has shot more than 100 music videos for such recording artists as Aretha Franklin, Billy Joel, Sting, Van Morrison and Reba McIntire. In 2000, Schreiber was named one of Varietys ten top DPs to watch.
From a script by first-time screenwriter Benjamin Brand, November, which had its premiere at Sundance, stars Cox as Sophie Jacobs, a photographer who is stricken with feelings of guilt and sadness when her boyfriend is murdered during a robbery. Haunted by a belief that she could have somehow prevented the death, Sophie soon begins to see things that should not be there, and is forced to question the reality around her. The New York Times took note of Schreiber's inventive digital camerawork on this noirish puzzle drama.
Familiar with her work, filmmaker Harrison approached Schreiber and invited her to DP November. Impressed by the script and Harrison's commitment to make the movie a visually rigorous and artistic statement, Schreiber was engaged, but concerned about the technical limitations of DV shooting, which clearly would be dictated by the production budget. I am primarily a film DP, and was concerned about resolution, or sharpness, when shooting November on small, mini DV cameras, then taking the product out to film, she recalled, but I was very interested in the AG-DVX100's 24p capabilities and its Leica lens. At that point, I'd only heard about the camcorder, but we tested it, and were impressed with its color handling, and my ability to control contrast and work in a totally manual mode. I particularly liked the ability to shoot at 1/24th sec shutter speed, which meant I could shoot inside or outside at night, with much less light. The camera also handled the highlights well, with a beautiful burn-out, and fewer artifacts than other similarly priced cameras.
The breakthrough AG-DVX100 is a unique Mini-DV 3-CCD camcorder with exclusive CineSwitch? technology that supports 480i/60 (NTSC), cinema-style 480p/24fps and 480p/30fps image capture. Panasonic is now delivering an upgraded version of the AG-DVX100, the AG-DVX100A, with more than 20 new features.
"November" was shot in and around Los Angeles over the course of 15 days last May. The production used two AG-DVX100s, with an occasional third camcorder utilized for pick-up shots.
10_November2.jpg

recebido via net

"Um velho árabe muçulmano iraquiano, a viver há mais de 40 anos nosEUA,quer plantar batatas no seu jardim, mas cavar a terra já é um trabalho demasiado pesado para ele. O seu filho único, Ahmed, está a estudar emFrança, e o velhote envia-lhe a seguinte mensagem:"Querido Ahmed:Sinto-me mal porque este ano não vou poder plantar batatas no jardim. Jáestou demasiado velho para cavar a terra. Se tu estivesses aqui, todos estes problemas desapareceriam. Sei que tu remexerias e prepararias toda aterra.Beijos, Papá"
Poucos dias depois, recebe a seguinte mensagem:"Querido pai:Se fazes favor, não toques na terra desse jardim. Escondi aí umas coisas.Beijos, Ahmed"
Na madrugada seguinte, aparecem no local a polícia, agentes do FBI, daCIA, os S.W.A.T., os Rangers, os Marines, Steven Seagal, SilvesterStallone e alguns mais da elite estadunidense, bem como representantes doPentágono, da Secretaria de Estado, do Mayor, etc. Removem toda a terra do jardim procurando bombas, ou material para as construir, antrax, etc.. Não encontram nada e vão-se embora, não sem antes interrogarem o velhote, que não fazia a mínima ideia do que eles buscavam.
Nesse mesmo dia, o velhote recebe outra mensagem:"Querido pai:Certamente a terra já está pronta para plantar as batatas. Foi o melhorque pude fazer, dadas as circunstâncias.Beijos, Ahmed"
DEMOCRACIA

Enquanto descíamos a Avenida da República, um amigo afirmava-me, para meu espanto, que acredita na existência da Democracia. No estado harmonioso, em que as forças sociais têm um peso equivalente, os tribunais aplicam imparcialmente as leis, as grandes empresas não interferem nos discursos dos políticos nem nas decisões editoriais dos jornais, em que a maioria das pessoas está disposta a aceitar a convivência pacífica com os que vivem de acordo com ideias diferentes das suas... Confesso que fiquei siderado, por me parecer evidente que o Estado em que vivemos se comporta como um corpo dominado pelas bactérias que o habitam: um dia podem estar a ganhar as que vêm nos anúncios dos iogurtes, mas enquanto isso, as patogénicas mordem o que apanham, provocam gases e arrotos, sonhando que o paraíso acontecerá no dia em que o corpo cair no chão. E elas se espalhem, se espalhem...
No fundo, tudo isto não passa de uma convulsão intestinal.
SOZINHO EM CASA

Na Sic Notícias discute-se a ideia dos conservadores britânicos em financiar as mães que queiram ficar em casa a tomar conta dos filhos. Calculo que a notícia esteja a ser tratada porque o cds queira apresentar a proposta e comece a semear o terreno, via media. Contudo, parece-me haver alguma bondade na ideia. Lembro-me sempre da frustração que foi colocar um certo rebento num infantário quando nos apetecia ficar a tratar dele. Mas como o fazer se os donos dos empregos não estavam preparados para fornecer a nenhum de nós um horário flexível que permitisse a alternância? Parece-me excessivo o princípio da subvenção total do que foi a decisão de um casal. Nenhum de nós deverá ser obrigado a sustentar a numerosa prole do D.Duarte. Mas, se ele quiser ser ajudado financeiramente para que reine apenas das 14 h às 20h sem passar fome, estou disponível para aceitar a concessão de um apoio.
Sim, alguma coisa deve ser feita para acabar com o crescimento solitário e desamparado nos novos portugueses. E sim, algum desconforto financeiro deverá prevalecer (se for caso disso) quando se decide suspender o trabalho em prol da família. São escolhas.

14 de novembro de 2004

RYAN

Nem sempre os prémios do Cinanima recolhem a concordância geral. Não é o caso deste ano. O grande prémio foi para "Ryan", de Chris Landreth. Uma maravilhosa homenagem (misturando um virtuosismo técnico a um argumento bem calibrado) ao animador Ryan Larkin (que vive nas ruas de Montreal). Mais detalhes aqui.

ryan.jpg

13 de novembro de 2004

ANIMAÇÃO (de Espinho)
Este ano está sol. E o mar continua cá, logo depois da linha férrea.
Sobre os filmes é sempre complicado falar. Apetece sempre pôr a coisa em termos de Melhor e Pior.
Sem isso, registo que gostei bastante de"Peixes", de Mirek Nisenbaum, ou como o Titanic permite sempre novas versões. "1916", de Fabien Bedouel (já visto no Indie) reconfirmou os seus méritos.E ainda "Le portefeuille" de Vincent Bierreweaerts ou como um homem se pode desdobrar sem deixar de ser ele (citando o poeta favorito dos brasileiros, portanto...). As deliciosas entrevistas de Nick Park "Creatures Confort" deixaram o público morno, sem perderem a sua genialidade. Ou serei eu que adoro ver bichos a falarem como homens...

10 de novembro de 2004

está frio. não sei se isto já é inverno, nunca soube quando é que poderíamos deixar de ficar tristes com o strip das folhas e começar a bater dente... não sei essas coisas; falta-me o gosto para verificar as autorizações. mas de onde escrevo é inverno, mesmo se não foi um dia desprovido de lareira, ou pequenos fogos que foram ardendo junto às horas e às coisas com que as preenchi. é inverno porque o meu gato diz que sim e se esconde por baixo de tudo o que se assemelhe a um cobertor. e os bichos sabem sempre melhor do que nós o nome das estações e as coisas que contam na vida: o corpo abrigado, o sexo quando faz falta e o roçar diário - várias vezes ao dia, até - pelas pernas de quem se gosta. está frio. encolheram-se-me as maiúsculas.
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9 de novembro de 2004

TV E POLÍTICA

Na TVE internacional o ministro da justiça espanhol debate com pessoas de diferentes quadrantes algumas das medidas mais polémicas a que se propôem. Da iluminação perfeita, ao som cristalino da televisão pública, passando pela maneira educada, moderna e viva como o debate foi conduzido e mantido por todos, recebo em cheio na cara a qualidade dos debates políticos que nos servem. E dos que se intitulam como nossos políticos.
Era como se estivesse a ver comer um jantar refinado de cinco pratos, enquanto no meu país me servem batatas frias com bife duro da véspera...
DOURAR A PILÚLA

O delegado de propaganda médica que acusou a mãe da Aspirina de andar a assediar médicos com luvas não-cirúrgicas estará maluquinho. Segundo a informação que o Correio da Manhã comprou a um funcionário do Tribunal, o homem andaria a telefonar a si próprio e ao advogado mega-esquerdino (esta última parte parece-me a mais assustadora, já que não consigo imaginar ninguém com vontade de telefonar ao Garcia Pereira...). Ou me engano muito, ou isto ainda acaba com a Bayer a perdoar ao seu agapito, alegando que só um tipo que toma os seus medicamentos de forma intensiva se lembraria de alegar que eles fariam o que fosse preciso para aumentar os milhões que ganham com a desgraça humana...

PRAXES

O caso da rapariga que não achou graça ser assaltada pela trupe fadanga do Instituto Agrário foi parar a tribunal. A senhora do Conselho Directivo lá se veio mostrar surpreendida, já que a rapaziada tinha sido castigada na altura com 15 dias de férias. E alguns estudantes actuais também vieram mostrar-se indignados com tanta falta de consciência sobre o que são as alegrias do estudo. Mas a melhor veio de um senhor que lá trabalha que disse com ar de desprezo: "esfregar estrume na cara é normalíssimo!". Sim e decapitar gente na Arábia Saudita também.
CANAL MEMÓRIA

Primeiro dia que o avisto e já me foi útil: fiquei a saber que a Helena Ramos ainda estava viva e a ganhar ordenado na RTP. Sabe Deus quem mais desenterrarão eles do mausoléu...

7 de novembro de 2004

Falta-me o tempo debaixo dos pés...
ANIMAÇÃO

Para os apreciadores de filmes de animação está a chegar a época da caça. O Cinanima (Festival de Cinema de Animação de Espinho) começa na próxima semana. Para quem gosta de curtas ( este ano, vão estar presentes algumas longas com interesse, igualmente), vale a pena rumar a Norte (ou a Sul, para os amigos da ponta superior do rectângulo) e ir passar lá uns dias. O cinema é bom, a seleccção também, as pessoas são acolhedoras e - por Zeus!- come-se bem, ou não estivéssemos em terra de bom garfo :)

INIMIGO PÚBLICO

Está cada dia melhor, o suplemento do Público. O dossier do J.Pina sobre a "Task force" para eleger um papa português, esta semana, foi de mais. Lol!
O cartoon do A. Jorge Gonçalves representando o presidente da América montado num elefante que esmaga gente, também está óptimo. Ou não fosse ele um nos melhores artistas gráficos portugueses.

LIVROS

Reparo, agora, que ultimamente não falo de livros. Como se não lesse. De filmes, sim, do país idem, mas de livros não. E contudo, tenho sempre alguns à cabeceira e outros à mão, enquanto desespero pelos/nos autocarros. Deve ser aquela coisa de não precisar sempre de estar a falar no nome dos amigos verdadeiros. Estando eles sempre connosco.

4 de novembro de 2004

PICKLES

Estive a pensar sobre a energia dos Conservadores. E parece-me que tal como os que querem a mudança em direcção ao futuro também eles se prontificam em puxar a carroça dos dias. Por lapso, foram presos ao contrário. Mas que diabo: quem nunca se enganou na direcção que atire a primeira maçã!

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PROMOÇÕES

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Só no outro dia, ao vê-lo na sua visita à Fraca Autoridade para a Comunicação Social, é que me apercebi que o Luis Delgado já tinha trepado até ao topo da PT (foi bonito ver toda a gente a jurar que o poder económico nunca iria interferir para favorecer um governo que o idolatra...). Ainda bem para ele, pois parece-me simbolizar bem o momento que o país atravessa.
Agora... se o Paulo Cardoso ou a Maya vierem reclamar postos iguais por serem tão bons adivinhos como ele, não se admirem...
ELOGIO DA DELAÇÃO

Muito bem terá feito o enfermeiro que denunciou a desgraçada de 17 anos que abortou. Quando morrer vai ser recebido no Céu pelos meninos do PP, de gravatinhas azuis e asas muito lavadinhas. E com um bocadinho de sorte, ainda pode entrar para criadito da Nogueira Pinto, na sua mansão celestial.
Quanto aos que se indignaram com a denúncia, peço um pouco de caridade: o senhor não tem culpa de ter saltado na escola, a parte que referia o direito do doente ao sigilo. Ou até, todo o capítulo de ética.
SUPER SIZE THEM

A América está mais busha.

1 de novembro de 2004

DOC LISBOA

Por razões de algum desânimo moral e de excesso de trabalho só pude assistir aos filmes de abertura e de encerramento. Mas pelo que fui constantando o festival correu muito bem. Cerca de 15000 pessoas assistiram aos filmes.
Gostei da cerimónia de encerramento. Por estar cheia e porque serviu entre outras coisas para várias pessoas se manifestarem sobre o momento político que atravessamos e da forma como o documentário deverá ser cada vez mais uma forma de revelar o presente em vez de urna das coisas passadas. O jovem realizador premiado com o seu documentário sobre Cesariny (não fixei o nome, mas já vou ver e corrijo...) fez uma declaração interessante que nos remeteu para a nossa passividade. O aplauso que se seguiu é bem revelador da forma como um governo cretino nos está a obrigar a radicalizar o discurso...
O filme de encerramento, O MUNDO SEGUNDO BUSH, não é brilhante. E tendencioso. Mas ainda assim cumpre uma missão de alerta a que não podemos ficar indiferente. Uma saudação aos programadores da RTP que tendo lido o programa do DOC acharam que passar NA MESMA NOITE esse documentário era uma ideia brilhante... Enfim... São artistas portugueses e ainda devem lavar as dentaduras com Pasta Medicinal Couto.
KISS ME 2

A fotografia é óptima, a música adequada e a modelo-protagonista portou-se bem. Erro clamoroso de casting na figura da mãe, que atira com ar pugente "Volta para o teu marido, Laura" (a frase é minha, de facto, embora dita por esta actriz tenha soado como se um dos Távoras estivesse a gritar do garrote). A reconstituição também está bem.
E, aqui e ali, o realizador conseguiu convencer-nos com aquela Laura-Rose, perversa e bela.




KISS ME 1

Não assisti à rodagem, nem à montagem do filme de António da C. Telles, ao qual emprestei (como outras pessoas) o meu nome enquanto argumentista.
Depois da antestreia, com toda a serenidade, gostaria apenas de me demarcar do resultado final. O argumento que vemos transportado em imagens está longe do que me foi solicitado e cumprido. Foi adulterado em excesso, carregado de diálogos simplistas e evidenciado no acumular de personagens.
Agradecia que sempre que se referissem a este filme, no que toca à estrutura e diálogos, omitissem o meu nome. É que não fui tido nem achado naquilo que chegou aos actores.


28 de outubro de 2004

A VILA

Ia preparado para um filme de terror. Os bosques lá estavam, a lembrar o... (BRANCA) feito sem dinheiro e onde o medo nunca é mostrado. (LEMBRANÇA: o "Blair Witch"!). Para quem tinha ficado desiludido com "Sinais", este filme foi uma boa surpresa. Uma câmara magistral, sobre uma história que nos vai surpreendendo. Aqui e ali, teríamos dispensado tanta informação, mas quando se reflecte melhor, estava-se era a falar de outra coisa ainda. Imperdível.
BACK!
:)
... olha e que se lixem os que constroem pirâmides de lixo e confundem o zunir das moscas em volta da cara com Mozart!
Será deles o reino dos Infernos. Entregue ao domícilio e de forma prematura.

20 de outubro de 2004

OBRIGADO
a todos os que se me têm dirigido para enviar um abraço solidário, via comentários, e-mails ou telefone.
O assunto seria ridículo se não denunciasse que muitos de nós que escrevemos, filmamos ou simplesment expressamos a nossa opinião sobre Portugal, dormimos algures, num computador do SIS. Pior: que existem pessoas no nosso país, repito, no NOSSO, o de todos, aquele que amamos apesar de tudo, que andam pelas livrarias a ver o que se escreve e a elaborar relatórios sobre a perniciosidade de alguns textos. Em 2004. Isso é que assusta e entristece. Que classifiquem como autor a "isolar" o homem que escreveu A MONTANHA MÁGICA é de brutos; de ignorância alimar. E quem são estes homens e mulheres que se escondem para nos espreitar? Quem os controla? Quem destrinça entre o que é opinião pessoal ou gosto da informação útil? Quem nos assegura que eles não forjam informações? Quem está a salvo deles?
Que governo é este que alimenta esta gente e se compraz na leitura de INDEXS inquisitoriais? Até quando poderemos achar que as coisas não vão voltar à podridão de um regime salazarento?

Se isto fosse um romance anterior ao século XX eu poderia fazer uma interpelação ao leitor:
"Tu, que me lês, julgas-te a salvo da lama que cai? Não o estejas, que a lama tem muitas cores e salpica quem pode, pois é essa a sua condição de lama...".


19 de outubro de 2004

O REGRESSO DA PIDE

Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:

Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?

O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...

ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.


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Para os apreciadores do género, já começam a circular pela net as pré-imagens da ida ao campeonato mundial de Quiditch. Nos nosso cinemas só daqui a um ano. ;)
FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Correu bem. Muitas sessões de casa cheia (lembro que tem mais de 800 lugares, a sala 1 do S. Jorge). Alguma descoordenação com as sessões paralelas (lembro o caso da apresentação quase à mesma hora de outros filmes do autor que estava a ser mostrado na sala principal. Das duas uma, ou se optava por ir ver um filme antigo ou, gostanto do filme recente perdia-se o ver ou rever de outros feitos anteriormente).

LES CHORISTES foi uma boa surpresa. Um filme de grande público que conseguiu fazer passar a emoção a uma audiência muito heterogénia.

O filme de Agnès Jaoui realizadora de O GOSTO DOS OUTROS volta a ganhar com COMME UNE IMAGE, uma comédia sobre um escritor egocêntrico (uma redundância, eu sei...).

François Ozon, que tem uma filmografia formidável desilude em toda a linha, com o sue 5 X 2, uma espécie de MEMENTO sentimental, com a montagem de trás para frente. A ideia não é má e as cenas são bem filmadas e interpretadas, claro. Mas chega-se ao final e apetece-nos citar o título infantil: "Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

Para o ano há mais, se o S. Jorge existir como cinema. Se esta câmara e as suas ideias pós-modernas fora de tempo não se lembrarem de o transformar numa coisa irreconhecível e musical...

18 de outubro de 2004

MAU TEMPO NO CANAL

Chove. Por todo o lado.
... Mas, olhando bem, ainda estou razoavelmente enxuto.
Vamos lá, então, receber a semana!

16 de outubro de 2004

FIM DA SEMANA ANTES DA SEMANA

Peço desculpa de não escrever hoje a comentar santanices, marcelices, injustiças, gozações com o contribuinte...
É que estou ocupado a regar o amor filial.
:)

14 de outubro de 2004

AINDA A RELIGIÃO...

Não há nada como as fontes. Quando se lê directamente (sem intermediários, portanto) um texto, quase sempre chegamos à conclusão de que este foi sujeito a toda a espécie de adulterações. É uma coisa humana, a distorção do boca-a-boca, a intrusão daquilo que nós somos e do que queremos dizer durante o processo de transmissão de uma mensagem. Aprende-se no 5º ano, nas Funções da Linguagem. Mas a gente esquece, mal se começa a crescer.
Com as religiões aconteceu o mesmo.
Por gosto e atracção pela poesia da linguagem, mergulho de vez em quando nos livros sagrados das várias religiões. Leio na origem os versículos que levam a que homens se imolem pelo fogo e outros se assassinem nas ruas do mundo. E chego sempre a conclusões interessantes.
Primeiro, os livros ou as partes constitutivas do registo que sustentam cada uma das principais religiões foram sendo escritos ao longo do tempo. Num caso específico, ditado por alguém que afirmou tê-lo ouvio de Deus a outros que guardaram na memória e que por sua vez transmitiram a outros que o foram registado onde puderam: ossos de camelo, pedras etc... Noutro, o processo há-de ter sido semelhante: gente inspirada pelo céu e sem testemunhas chega com um relato que é registado de forma dispersa ao longo do tempo. Mais tarde, esses e outros manuscritos são misteriosamente encontrados, seleccionados (isto é, guardaram-se os que interessavam e afastaram-se os que contrariavam as crenças da época) e divulgados.
Ler as fontes e olhar para a forma como o manuseamento dessa informação tem sido manipulado desde há muito faz com que eu tenha a certeza de que não vivemos nos tempos de ciência e liberdade que se propagandeia. Quando muito, numa Idade Média limpinha.

ps:
As traduções que nos chegam são feitas por pessoas que acreditam. Em muitos casos por poetas conhecidos. E são escritas (no caso português) com uma beleza que contraria em muito a rudeza dos castigos anunciados. E que por mais não fosse, só isso valeria a viagem ao papel fininho.

13 de outubro de 2004

OUVI...

"...Marrocos, este fatídico acidente. A viagem, organizada pela PT, para os seus melhores clientes, entre os quais o presidente da câmara de Lisboa, gerentes bancários..."

Como?! Sou só eu que acho ligeiramente estranho o presidente da CML andar em passeios pagos por uma empresa de telecomunicações que certamente participará de concursos públicos, et., etc...?
Espera... Só se ouvi mal e a notícia se referia a um laboratório farmcêutico e a médicos do Serviço Nacional de Saúde.... Ai sim, seria normal...!

Começou hoje o julgamente de um pai e da mulher que terão maltratado uma criança até à morte. Vai daí lembrei-me de outra frase ouvida sobre o caso miúda assassinada (presumivelmente) no Algarve:
"o tio confessou ter apenas participado no espancamento".
No "espancamento"? "participado", isto é, era mais do que um adulto a bater numa menina de 8 anos?
Deve ser o que as piedosas tias do PP referem como a "supremacia dos valores familiares"...
"Nojo", é a única palavra que me vem aos lábios.

F....

Como é que é possível apelar-se à racionalidade, à visão clara das nossas potencialidades e fraquezas, num país que acredita sinceramente que a imagem de uma mulher morta há mais de 2000 anos, a milhares de quilómetros daqui, apareceu em 1917 empoleirada numa oliveira...?!
Só de pensar que estou vivo numa época que pensa assim começo logo a ver o sol a rodar...
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12 de outubro de 2004

A ESCRITA ALIMENTAR
Não é que não se possa fazer poesia enquanto se põe o pão na mesa... O que não se consegue é ouvir os sons da seara com o barulho do estômago a roncar.

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11 de outubro de 2004

FILMES DE LÁ E DE CÁ

Pura distracção: esqueci-me de comprar o bilhete para a antestreia do filme baseado na obra do Bilal "Os Imortais" (eu sei, eu sei, existe um outro) e não apanhei lugar. A sessão esgotou. Os 800 lugares. Ainda bem que o público aderiu em massa.
Vai daí, meti-me no metro e fui até ao Colombo ver o trash movie "Balas e bolinhos". A única crítica que tinha visto fora de alguém que se está virado para dizer bem, diz, se acorda com os pés ao contrário diz mal. O que nada ajudava.
Primeiro: o realizador tem "mão". Não só escolhe os enquadramentos justos, como a sucessão de planos é ainda mais justa. Consegue um filme cheio de ritmo, apenas com um fiozinho de história. O que é obra. Tem 2 planos de grua (quem é que lhe terá emprestado o aparelho... ;) ) absolutamente impecáveis. Aliás, não me lembro de ter alguma vez visto igual num filme português.
A imagem vídeo aguenta-se bem e o som era bom, na sua generalidade.
O público riu do princípio ao fim e nem a brevíssima aparição amacacada do Fernando Rocha conseguiu sujar demasiado a coisa.
É claro que não tem um argumento a sério. Mas até aí está igual a 90% do cinema nacional. Só que sem pretensões. Falha pela inexistência de diálogos escritos e pensados (evitava o falajar penoso do actor principal, uma das grandes fraquezas. Vê-se que está cheio de boa vontade e energia, mas a coisa não vai lá).
Foi divertido, e correu lindamente na sua hora e quarenta e oito minutos. Quantos filmes pagos com os nossos impostos se podem gabar disto? Quase nenhum.
Só por cegueira não se verá a bondade da exibição deste filme. E só por hipocrisia não se perceberá que o caminho da produção portuguesa passa por este arriscar em trabalhos longos e sem meios, mas que chegam ao fim e agradam a algumas pessoas.
Os mais corajosos que vão ver e voltem para contar.

9 de outubro de 2004

LIVROS

Já estou há algum tempo para referir uma das minhas últimas leituras, CARTER VENCE O DIABO (asa) o primeiro romance de Glen David Gold. Mais de 600 páginas bem escritas a remeterem para o mundo dos ilusionistas. Para quem tomou contacto com o trabalho de Houdini e de tantos criadores de ilusões do início do século XX é um livro fascinante. Porque fiel ao espírito que movia esses homens.
Não é um livro para Nobel, mas pode encher muitos fins de noite daquele prazer antigo de sermos acompanhados por uma boa história.
E o site é igualmente divertido.

FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Sem as enchentes ou a animação do ainda fresco "Indie", a Festa tem uma selecção variada e curiosa de filmes. Hoje, passou WILDE SIDE (2004-Drama), de Sébastien Lifshitz. Um filme interessante, filmado sem grandes pruridos e com uma autenticidade no trabalho com os actores tocante.
O programa está disponível em vários locais da net, nomeadamente aqui.

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DANTES, USAVA-SE
a vergonha na cara.
Os "trabalhadores" da Caixa Geral de Depósitos marcaram uma greve para o dia 29 de Outubro. Tomado por um palpite fui verificar o calendário: 29 é a sexta-feira que antecede o feriado de 1 de novembro. Sexta, sábado, domingo e segunda de férias.
Um dia, a sem vergonhice desta ala da função pública criada na babugem do Verão Quente, terá de acabar. Os milhares de malandros que entopem as empresas públicas e os sindicatos terão um dia de perceber o significado das palavras "brio", "honestidade" e "produtividade". Ou dar lugar aos que estiverem dispostos a cumprir as suas obrigações.
Por enquanto não passam de um bando de aproveitadores dos nossos impostos.

7 de outubro de 2004

Marcelo

já se escreveu tanto sobre um assunto cujo principal visado permaneceu em silêncio que qualquer opinião será provavelmente errónea.
Diria apenas que Marcelo R. Sousa tem tido um papel muito válido no "assentar da poeira" das questões nacionais. Se lhe dermos o desconto das opções ideológicas mais imediatas, digamos assim, ficamos com um comentador sensato apostado, quase sempre, em gerar consensos; mais virado para a dinamização das energias nacionais do que para a má língua. Com alguns deslizes que só lhe ficam bem, porque o aproximam dos menos hábeis a distinguir o trigo do joio.
O secretário de estado (era um ministro?) terá cometido a gaffe... Olha a novidade! Como se alguém esperasse deste executivo (que, malgré tout, tem algumas pessoas com valor - uma, ou duas) alguma coisa proveitosa.
Santana Lopes afundar-se-á por si próprio, apenas porque é de papel. E, qualquer miúdo lhe poderia dizer que os barquinhos de papel amolecem e desfazem-se ao fim de algum tempo.
Se até a saída de um comentador de uma estação de televisão é capaz de mexer com eles...

5 de outubro de 2004

LA CONFIANCE

pedem-me que confie. em deus. na existência do céu. na bondade da obediência às leis. na justiça e nos seus defensores. no inevitável crescimento económico. que o crescimento económico de uns trará a riqueza de todos. que o amor eterno. que a amizade eterna. existem. que me deixe levar para o bem de todos. que dê a outra face. sempre a outra face. e se for possível, o cu. e o cérebro. e tudo o que eu souber e seja útil a alguém que não a mim.
pedem-me que seja sempre bom, num mundo em colapso. que me cale se não quiser criar inimigos. que minta se quiser fomentar amizades. preciosas para a obtenção das riquezas temporais.
pedem-me que compreenda que nada é verdadeiro. que a aceitação dessa ideia é um velho pacto entre os homens e a felicidade terrena.
pedem-me tudo isto. e eu cedo. todos os dias me esforço por ceder. mesmo se há dias em que não consigo deixar de sentir, sob os pés descalços, as pedras do chão de terra.


4 de outubro de 2004

NO BUDGETS

Defendo há vários anos a necessidade da produção independente de filmes. Quando eu digo "independente", quero dizer Low budget ou até mesmo NO budgets filmes. Com o aperfeiçoamento do vídeo digital (chamo a atenção dos mais ambiciosos para a chegada do novo modelo da Sony - como não me pagam para isto, imagino que outras marcas também lancem modelos - de Alta-Definição (HD) em tamanho compacto) e com a vulgarização da edição de filmes em computadores a 7a arte ficou de facto... ao alcance dos artistas. Não só dos pseudo,como até dos verdadeiros. Aqueles de quem desconhecemos o nome. Por agora.
O subsídio de filmes criou em Portugal não só resmas de bluffs a quem chamamos "cineastas", como tem alimentado alguns (muito poucos) tubarões. Gente interessada em que nada mude enquanto os ventos lhe soprarem de feição. Tudo lhes serve: amigos colocados nos júris dos concursos, jornalistas que escrevam em diários, controlo de salas de exibição, etc, etc.
Para romper este ciclo só há uma possibilidade honesta: fazer a custo zero. Unir esforços de actores, realizadores, pós-produtores. Criar mecanismos de distribuição e exibição alternativos.
E assim, trazer ao de cima um cinema que tem sido esmagado e menosprezado por toda uma (com resquícios na actual) geração de agentes cinematográficos.
Ia falar da produção de Balas e Bolinhos, em exibição em pelo menos 2 cinemas e feito com o esforço e entusiasmo de uma equipa do norte. Tem o Fernando Rocha no elenco, o que vai retardar a minha ida à sala. Mas quando vir, logo direi o que me pareceu. Uma coisa será certa, pior do tanta e tanta coisa a 130.000 contos, cada, que temos visto nos últimos anos, não será...
Não há nada para lá da Coragem.

3 de outubro de 2004

INDIE- encerramento

Ora aí está a prova de que me enganei ( e o Eurico de Barros também) redondamente com o filme português em baixo referido. Um júri constituído por um crítico do Público e dois jornalistas franceses, resolveu dar o Prémio da Crítica ao ex-crítico do Público, Miguel Gomes. Surpreendente para alguns, atendendo às timidas vaias que se fizeram ouvir na sala (eram mais as pessoas que batiam com a mão na testa e exclamavam "Eu não acredito"). Enfim. Cada país tem a cara que merece.

Os restantes prémios foram: Melhor Filme Português, para LISBOETAS, de Sérgio Trefaut; Melhor Fotografia, Rui Poças; melhor curta-metragem, CON QUE LA LAVARÉ (animação) e o Grande Prémio foi para LE MONDE VIVANT (que ainda não vi).

NOITE ESCURA não ganhou coisa nenhuma, helàs, mas ainda lhe resta o Festival de Cinema de Portel que começa agora.

Os directores estavam contentes com a adesão em massa do público, apesar do desconforto do ar condicionado (que a benzoca da Egeac procurou desvalorizar - não sei a quantas sessões assistiu, mas com tanta descontração não devem ter sido muitas - remetendo para o passado, a responsabilidade da coisa). Deram-se mesmo ao luxo de anunciar o Número Real de espectadores (esta sinceridade, só por si, já os torna num caso raro, no reino dos dados inflaccionados...), até ontem, mais de 11.000 pessoas. O que para uma primeira edição de um festival ligeiramente apoiado pelo Icam, foi extraordinário.

E pronto, quem quiser pode assistir amanhã aos filmes premiados.
Para o ano há mais. Duvido é que seja no S. Jorge, pelo relax da criaturinha ao declarar que a sala "não serviria só para cinema", e que ia para obras.
Se fosse pessimista diria que lá vem o rockódromo, disfarçado de coisa inteligente.

2 de outubro de 2004

INDIE - último dia
Por razões várias (da família do Pão na Mesa), não pude assistir aos filmes dos últimos dias.
Um dos que não iria ver, de qualquer maneira, seria a - por assim dizer - longa-metragem de Miguel Gomes. Tal como muito gente, simpatizei com o seu primeiro filme, até dar de caras com o original de François Ozon e ter preferido este último. Eurico de Barros, contudo, assistiu:
"No entanto, não é correcto chamar longa-metragem a A Cara Que Mereces, porque se trata mais de uma desconcertante experiência cinematográfica, do que outra coisa - um híbrido de curta inacabada e de fita de amigos, nos limites da auto-indulgência e cifrada pelo realizador para que ninguém tenha a menor ideia do que está a ver. Para saber sobre que é este filme, o espectador terá de ouvir ou ler a explicação do realizador. E não há nada pior do que um filme que não se sabe contar a si mesmo e precisa que o seu autor o decifre..." (DN). Não perdi nada, portanto.

Hoje é a sessão de encerramento (por convite, helàs) com o documentário Super Size Me". Uma incursão ao mundo da junk food e aos deliciosos efeitos sobre as nossas anatomia e saúde.

O balanço ficará para amanhã, depois de sabidos os prémios.
JOBS FOR THE POORS

Folheio o jornal e dou de caras com anúncios de câmaras municipais, escolas e institutos a pedir gente. Auxiliares. Ordenados na casa dos 400/500 euros mês. Seria curioso pensar como é que se vive num dos países com o custo de vida mais elevado da Europa com esse dinheiro.
Isto lembra-me que uma amiga não se pode reunir comigo na próxima semana (desenvolvemos um projecto complicado no domínio das novas tecnologias e do vídeo) porque lhe apareceu um trabalho de alguns dias como Assistente de Guarda-Roupa. Anos a estudar cinema no estrangeiro para ganhar a vida a passar vestidos a parvas que mal sabem ler ou escrever (e que gostam desse estado) mas que ganham milhares de contos por mês. Alguém tem uma ideia de quanto ganha a Merche Romero? Ou aquele apresentador/actor dos Ídolos? Eu tenho. Mais de um mira-amaral por mês. A minha amiga está contente porque vai ter dinheiro para pagar a renda, este mês. Tal como a amiga que lhe arranjou o biscate, arquitecta no desemprego e que também andará a apertar os fechos às coristas.
Alguém se admira dos miúdos se espremerem em filas de quilómetros para fingirem que sabem cantar e atingir o "sucesso"? Eu, não. Já não.
As alternativas estreitam-se cada vez mais, no nosso país(inho) com gel.


30 de setembro de 2004

E NÃO BUFA!

Hoje foi anunciado o início das portagens nas SCUDS (sigla inglesa que quer dizer Estrada em Sítio Onde Dantes Seria Preciso Morrer Para Lá Chegar). Como não se atreveram a desmentir o José Barroso, lá inventaram esta coisa de durante 2 ou 3 anos os indígenas não pagarem. Depois dessa data, ou pagam ou vão marrar com os cornos contra os camiões da nacional 125, isto para só citar uma das zonas atingidas.
Os juros para habitação também vão subir.
E por aí fora.
Está assim compreendido o que queria dizer Bagão Félix ao afirmar que a economia de um país se gere como uma casa de família. Não especificou é que a casa era a do Santana Lopes e que a maioria de nós só ganha para ser o seu criado de quarto. Por este andar vamos acabar todos a passar fome. Ou a ver passar os mercedes dos quer roubam quanto podem.
Em termos históricos, nada de novo. Em 24 de Abril de 1974 era exactamente assim...



INDIE - dia 6

Além das curtas (que esgotaram, claro) houve a antestreia do último filme do João Canijo "Noite Escura" (a tradução foi muito mais romântica: "In the darkness of the night"). Sessão concorrida com a equipa do filme, e uma chusma de actores mais ou menos reconhecíveis.
Que dizer? Houve quem gostasse.
Pessoalmente fico-me por alguns momentos do desempenho da Rita Blanco. E por uma Beatriz Batarda muito bonita (por dentro) e quase sempre eficaz. Quanto à realização, para quem não tenha visto nada do realizador, se abstenha dos filmes a concurso e se meça por aquilo que se faz em Portugal com o dinheiro dos nossos impostos... diria que foi boa.
Claro que isto que estou a dizer será contradito pelo Público e por vários jornalistas que ganham a vida a escrever bem sobre as produções Paulo Branco, aquando da estreia. Adiante.

Hoje, temos um filme do Sabu "Hard Luck Hero", acção em japonês. Nunca vi nada dele mas dizem-me que tal como o autor do "Breaking News" tem uma legião de fãs.
Além disso e super-recomendável, duas sessões de curtas-metragens (chegar cedo para apanhar bilhete, recomenda-se)

A votação para o Prémio do Público sofreu ontem uma reviravolta com a ascensão directa ao primeiro lugar de ALICE ET MOI. Para os que estão lembrados, ou tenham pachorra de ler os arquivos deste blogue, já se tinha vaticinado a coisa.
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28 de setembro de 2004

INDIE- dia 5

Vou ser breve: as duas sessões de curtas metragens foram boas, bem equilibradas; o filme "Temporada de Caça", foi óptimo (estreia em breve, em Portugal). As salas mais pequenas (250 lugares) continuam a esgotar amiúde e a EGEAC continua a não tratar do ar condicionado.
Ah: e, pela primeira vez em Portugal, um catálogo de Festival (onde estão as fichas técnicas, sinopses...) esgotou e estão a imprimir a 2ª edição. Um sucesso editorial que assevero não ser, de todo, light...

PATH

Há pessoas que carregam a solidão dentro de si. Como uma segunda natureza. Como se o mundo fosse uma arca de noé, com todas as espécies aos pares e eles se segurassem sozinhos à amurada, enquanto as águas subiam e a nave balança. Não há nisto nada de especialmente trágico. Apenas outra forma de viver a sua condição.
É a estes que os tarólogos gostam de mostrar a carta "O Ermita".
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INDIE- dia 4

Estou a resistir. Quatro dias enfiado nas cadeiras do S. Jorge. Acho até que me estou a habituar à temperatura das salas. Como se vivesse sobre o Equador... Adiante.
O sucesso do festival, não sendo inesperado, está a ultrapassar todas as expectativas. Milhares de espectadores assistiram aos 4 dias de exibições, atingindo números que estão a fazer cair de cu, a rapaziada da Câmara de Lisboa: os mesmos que recusaram à Zero em Comportamento, uma das salas pequenas onde fosse possível ter uma programação regular de cinema independente... Enfim, pela falta de neurónios morrerá o peixe.
Ontem foi dia da segunda (e última) exibição das aventuras da IRON PUSSY, um disparate fílmico do impronunciável Apichatpong Weerasethakul em colaboração com Michael Shaowanasai e do CZECH DREAM (até ao momento, o principal candidato a Prémio do Público) Não consegui ver este último, mas a reacção geral foi a melhor. Quanto às peripécias da agente transexual Iron Pussy ( o nome diz tudo) foi um fartote de riso. Julgo que a maioria dos espectadores (a sala estava praticamente esgotada, pela segunda vez) também. Houve quem odiasse, claro. É um daqueles filmes que se presta a isso.
O BREAKING NEWS também juntou mais de 300 espectadores (número a olho). Um policial bem construído, para apreciadores do género.
Falhei o LISBOETAS, documentário de Sérgio Trefaut, que espero ver em próxima apresentação.
Para quem ainda lá vai hoje, recomenda-se a Competição de Curtas 1, A TEMPORADA DE PATOS e (não vi...) o que parece ser um dos filmes mais bizarros do festival LE MONDE VIVANT
NO COMMENTS

Ontem, um homem que ganha a vida a vender bolos de chocolate despediu-se de mim com a frase "Obrigado por ser meu fã.
Todos os dias ouvimos coisas surpreendentes.

27 de setembro de 2004

INDIE-dia 3

Foi dia da argentina Lucrecia Martel, com a sua LA NINA SANTA. Não vou mentir, fiquei um pouco decepcionado, face a tanta expectativa. Claro que ela filma com uma sensibilidade muito interessante e que o filme arranca e termina bem... Mas o meio enrolou, enrolou... Enfim.
O pior foi o sistema de legendagem ter resolvido armar-se em caprichoso. Perante uma audiência de mais de 500 pessoas (sim, leram bem, a sessão ultrapassou os 500 espectadores), decidiu que não lhe apetecia. A organização parou o filme, pediu desculpas e tratou do problema. Perante uma ou duas pessoas irritadas (provavelmente habituadas à eficiência mecânica dos cineminhas da Lusomundo - tipo queca semanal: não falha, mas não deixa saudades) seguiram a segunda hipótese proposta e reaveram os preciosos 2 ou 3 euros do bilhete. Estavam no seu direito.
Melhor foi a selecção de curtas que passaram em Sundance. Com destaque para o último filme, GOWANUS, BROOKLIN, uma incursão nos subúrbios novaiorquinos, com óptimas interpretações.
Também à volta da comunidade negra (afro-americana, como é politicamente correcto afirmar-se), foi o filme da tarde, premiado em Sundance. Bem construído, sem grande arrojo. E um pouco panfletário para o meu gosto, na sua insistência em nos mostrar a chatice que é ser gay, negro e artista para aqueles lados. A gente já tinha percebido... Não era preciso fazer mais um filme sobre o tema. Digo eu.

Amanhã é o dia das curtas não competitivas, esse sim, a não perder. E para quem gosta de filmes de acção total, em ambiência "manga" (grosso modo, já que o filme é de Hong Kong), passa o BREAKING NEWS, do JohnnieTo. Ah, e já me esquecia, um filme de produção portuguesa (realizador brasileiro) LISBOETAS, de Sérgio Trefaut.


A SUÍÇA UBER ALLE

"Os eleitores suíços rejeitaram hoje a facilitação do processo de naturalização de imigrantes de segunda e terceira geração, depois de uma intensa campanha nas vésperas do voto, que diversos partidos e organização denunciaram como racista e xenófoba.Cinquenta e dois por cento dos eleitores suíços rejeitaram uma primeira proposta de legislação que dava cidadania automática a estrangeiros de terceira geração nascidos na Suíça, isto é filhos de pessoas nascidas no país ou netos de imigrantes residentes na Suíça há muito. Uma segunda proposta, que pretendia facilitar o acesso à cidadania para a segunda geração, foi rejeitada por uma maioria ainda maior: 57 por cento." (in "Público").
Só quem não conhece de perto este pequeno país, com os seus agricultores altamente subsidiados e protegidos (não só os preços dos produtos agrícolas são absurdos, como é proibido ir a um dos países do lado e fazer compras à vontade, só para dar um exemplo), as velhas denunciantes atrás dos cortinados das janelas e a opinião generalizada de que os estrangeiros não são "propres" (limpos/correctos"), é que pode ficar admirado.
Este grupo de lavradores, enriquecidos com a desgraça da segunda guerra mundial e com os biliões e biliões de dólares sujos depositados nos seus bancos, acabará sozinho. Uma espécie de aldeia gaulesa, mas muito envelhecida...

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26 de setembro de 2004

INDIE - DIAS 1 E 2

Lotação esgotada para a abertura, como se (eu) esperava. 24 antes, já não restavam bilhetes para o BEFORE SUNSET. Lá nos abanámos com leques ou com o que se apanhou a jeito (já lá irei ao assunto...) enquanto assistíamos ao comovente reencontro das duas personagens, em Paris.
Um filme romântico mesmo para quem não gosta de romantismos. Uma película que parece feita de simplicidade: planos sequência, dos dois nas ruas de Paris, diálogo constante, ausência de grandes acções... E contudo, somos tocados. E contudo, criamos empatia total com os protagonistas. A recomendar, aos corações sensíveis, assim que estrear em sala ;)

Hoje, assisti ao FOG OF WAR, um documentário americano, bem escrito, bem realizado e, sobretudo, montado de forma hábil. Através da entrevista ao antigo Secretário da Defesa (que conduziu o processo de guerra durante o final da 2ª Guerra Mundial, crise dos mísseis de Cuba e Vietname) percebemos melhor o que leva os homens à guerra. E, também, que alguns deles o podem fazer sabendo que não há nada de mais errado do que um homem matar outro.

Como não tive pachorra para o filme francês (creio) OR MON TRESOR - e bem, a julgar pelo enfado de alguns dos espectadores apanhados em falso), pude pensar com calma se queria ver o filme O ALBINO (que estreará em Setembro) ou o super-comentado em Cannes TARNATION. Optei por este último. Sala totalmente esgotada, de novo.
Resumidamente, trata-se de um interessante filme, feito a partir dos auto-registos (em vídeo, super 8...) do realizador. Ao contrário do que a sinopse sugeria não me pareceu um filme "sobre a mãe". Antes um exercício virtuoso de um Narciso. Mas que exercício...!
Custou perto de 200 dólares, montado num Macintosh caseiro...
A quem servir a lição, que a aprenda.

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Amanhã há mais.
O S.JORGE

Os organizadores do IndieLisboa vieram provar não só que Lisboa (e o país) necessitava de um festival internacional de cinema a sério, como era possível fazê-lo. Com trabalho, profissionalismo e uma competência aliada a um grande amor ao cinema.
Daí que se visse na cara dos funcionários de São Jorge uma motivação inesperada. Pela primeira vez (que eu me lembre) vi aqueles funcionários a darem o seu melhor e a trabalhar com gosto. Está bem que não viam espectadores há muito tempo e que salas quase sempre à cunha de gente interessada, também por ali já não havia memória. Mas ainda assim.
Claro que... quem por lá tem passado os últimos dias tem suado as estopinhas: literalmente. A EGEAC (a empresa que toma conta dos equipamentos culturais da cidade) tinha-se "esquecido" de que o sistema de ar condicionado estava avariado. "Há uns dias?", perguntei eu, ingénuo. Não HÁ MESES. "Como vai para obras, não valia a pena...".
Deixem-me pôr as coisas assim: ao aceitar festivais e mostras de cinema e a não lhe dar as condições mínimas (40 º dentro de uma sala é obra...) é o mesmo que eu convidar amigos para jantar em minha casa sem ter lavado a louça. "Como se vai sujar a seguir...".
Oh, valha-me Deus!

23 de setembro de 2004

A NOSSA MENINA!

Ai que grande alegria: a nossa menina vai para administradora da Caixa Geral de Depósitos. Quem andou a dizer que a Celeste Cardona mereceria a coroa da Ministra Mais Estúpida do Mundo, deve estar neste momento a sentir-se constrangido. Será incompetente, pois será. Não percebe um boi de actividade bancária, pois não percebe. Mas que diabo, não será ela um maravilhoso símbolo dos tempos em que vivemos? Premiar a inépcia e a estultícia não se tornaram obrigatórios, em 2004? Santana Lopes não chegou a primeiro-ministro e não se arrisca a chegar a Presidente da República, depois de esburacar Lisboa e delapidar o erário municipal?
Ora aí está: a nossa Celeste vive os seus (longos) 15 minutos de fama.
A dúvida consiste em saber quantos mira-amarais irá ela arrecadar por mês?!

ps: se quiserem saber o que mais irá acontecer em Portugal basta lerem a Bíblia, livro do Apocalipse: "Apareceu ainda outro sinal no céu:era um grande dragão de fogo com sete cabeças e dez chifres..." etc, etc....

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22 de setembro de 2004

A ÚLTIMA FRASE

Quantas vezes não daríamos tudo para não ter dito uma frase? A palavra-bicho que morde o outro com violência. Sai-nos a razão dos braços, porta fora, deixando-nos o embaraço de se ter ultrapassado a intenção inicial.
Eu não sei, por vocês, mas quanto mim gostava de me calar mais cedo. Tantas vezes...

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ESCOLHAS
Por sugestão das Produções Fictícias, Clara Ferreira Alves vai ter um conto seu adaptado à televisão. O pacote financiado pela RTP, contém ainda escritores contemporâneos, como é o caso de Mário de Carvalho ou Luisa Costa Gomes.